sábado, 1 de março de 2014

Saudade


Hoje eu perdi o sono. Nessas horas em que a cabeça, além de doer, não para de pensar, é hora de levantar da cama, tomar um remédio qualquer e fazer outras coisas além de ficar olhando para o teto do meu quarto, escutando Debussy. Será que perdi o sono porque fui analisar a perfeição da música? É como se tudo flutuasse. Quando tudo flutua assim, o tempo se perde, e a saudade toma conta do lugar...

Saudade é um sentimento dolorido.

Sinto saudade de tanta coisa na minha vida: 

Saudade do meu tempo de criança, quando eu brincava sem hora para acabar, ou se acabava, era porque o corpo não aguentava mais. Patins, bola, boneca, video-game.
Sinto saudade do tempo em que a escola era um mistério, cheio de desafios intransponíveis, colegas que fundavam associações "secretas" só com o objetivo de juntar as pessoas para...para nada mesmo.

Saudade dos lugares que passei, esses lugares que nem lembro, mas quando passo de novo por eles, vem uma sensação gostosa e diferente. Saudade dos beijos, na escada, no meio do show, no meio da chuva, no meio do nada... Saudade da saudade gostosa do amor. Saudade do meu grande amor.

Sinto saudade daquela pessoa que apareceu e foi embora sem deixar o mapa. Saudade dos amigos, desses que você encontra e se pergunta porque não ligou mais vezes. Dos amigos que você nem lembra mais, aqueles das fotos que se perderam no tempo.

 Saudade do cachorrinho que ficou.

Saudade do primeiro namoro, das cartas que recebi, das declarações de amor que caíram do céu em algum momento da vida, dos presentes inesperados e esperados, das festas de aniversário, dos natais, das férias com os primos, da infância, da adolescência, da cabeça cheia de sonhos.

Quem não tem saudade? Saudade é uma constante na vida de todos nós. São memórias rápidas que vem e vão numa velocidade incrível, como a leitura que acaba perdendo a página certa por causa do vento.

Saudade é sentir prazer em lembrar das coisas que não voltarão nunca mais, pelo simples fato de que o tempo só anda em uma direção nem sempre compreendida e muitas vezes limitadora e impiedosa. Impiedoso como esse frio que também insiste em me dizer que levantar da cama talvez não tenha sido a melhor das ideias. Afinal de contas, existe coisa melhor do que ter na cabeça, além da dor que já está passando, lembranças lindas para sentir saudade? 


Um lindo texto diz assim:


"Sinto saudade dos amigos que nunca mais vi, das pessoas com quem não 
mais falei ou cruzei.

Sinto saudade do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro.

Sinto saudade do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser.

Sinto saudade de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. 

Sinto saudade dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida  e que só enxerguei de vislumbre.

Sinto saudade do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava totalmente, como só os cães são capazes de fazer. Saudade dos livros que li e que me fizeram viajar,  dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei onde, para resgatar alguma coisa  que nem sei o que é e nem onde perdi... 

Saudade é a prova inequívoca de que somos sensíveis,  de que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas  que perdemos ao longo da nossa existência. " 


Existência essa que não volta, que não dá uma segunda chance e que se não for bem vivida só vai deixar na lembrança, uma sensação de vazio, como se fosse um pedaço quebrado dentro de nós. 


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